Conservação de Estruturas Antigas: do Elemento Construtivo à Estrutura Global

19 Fevereiro, 2009.

Nos últimos anos ocorreram desenvolvimentos muito significativos no que diz respeito à capacidade de efectuar análises experimentais e simulações em computador sobre o património e monumentos históricos. Tais avanços resultam de uma crescente consciencialização por parte da sociedade em relação à necessidade de preservação deste património, juntamente com a evidente importância cultural e económica desta actividade.

Recentemente foram aprovadas pelo ICOMOS recomendações para a Análise, Conservação e Restauro Estrutural do Património Arquitectónico. Estas recomendações destinam-se a ser úteis para todos os envolvidos nos problemas de conservação e restauro, e não exclusivamente à vasta comunidade de engenheiros. Uma mensagem subjacente, provavelmente inconscientemente, é que todos os envolvidos na preservação histórica devem reconhecer a contribuição do engenheiro. Em geral, a opinião do engenheiro tende a ser entendida como algo que vem no final do projecto, após as decisões já estarem tomadas, quando se torna evidente que é usualmente possível chegar a uma melhor solução através de uma contribuição inicial do engenheiro.
Um assunto relacionado com este tema é que a engenharia “de conservação” deve ter uma abordagem e capacidade diferentes das usadas no dimensionamento de estruturas novas. Frequentemente, os materiais tradicionais são mutilados ou destruídos por engenheiros que não reconhecem este facto, com o consentimento das autoridades e outros peritos envolvidos. Também se verifica que, mesmo quando são empregues as técnicas de conservação adequadas, existe a tendência das entidades reguladoras e dos engenheiros requererem que as estruturas estejam em conformidade com os regulamentos actuais. Isto é muitas vezes inaceitável, visto que os regulamentos foram escritos tendo em mente outras formas de construção, pelo que a sua aplicação em materiais, tecnologias e formas tradicionais que pertencem a estruturas existente é excessivamente conservadora. A necessidade de reconhecer a diferença entre o projecto moderno e a conservação também é relevante no contexto dos custos associados à contribuição da engenharia. O procedimento habitual de cálculo de honorários de engenharia, como uma percentagem do trabalho realizado, está claramente em oposição com a melhor prática de conservação, visto que idealmente se deveria evitar qualquer intervenção estrutural.


Ser capaz de recomendar não tomar qualquer medida pode, na realidade, implicar mais estudos e mais custos reais do que uma recomendação para grandes intervenções.
Os procedimentos das intervenções modernas exigem um levantamento cuidado da estrutura, bem como a compreensão da sua história. Qualquer estrutura tradicional é o resultado da concepção e construção originais, das diversas alterações deliberadamente realizadas e da deterioração devida ao tempo e eventos excepcionais. O trabalho do engenheiro em edifícios antigos deve ter em conta que muito do esforço despendido na compreensão do estado actual necessita da compreensão do processo histórico. O engenheiro, envolvido desde o início do processo que conduzirá à intervenção, pode não só ter questões que podem ser facilmente respondidas por arqueólogos ou historiadores de arte, mas pode também ser capaz de fornecer explicações para a informação que está a ser revelada pelo estudo histórico.

P.B. Lourenço

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