Cortinas de Contenção tipo Berlim – Análise e Comportamento
27 Março, 2012.São frequentemente usadas, em Portugal, para suporte de escavações urbanas, cortinas de contenção tipo Berlim definitivas. Nestas estruturas, procede-se à instalação prévia de perfis verticais em furos realizados na periferia da área a escavar e a escavação é conduzida por níveis e acompanhada da execução alternada de painéis de betão armado, primários e secundários, estes últimos executados após os primários.
Apesar de a concepção destas estruturas de contenção se basear nas contenções tipo Berlim provisórias, há que referir que, sob o ponto de vista de funcionamento e de dimensionamento, as duas estruturas – provisória e definitiva têm pouco em comum.
Conceptualmente, as estruturas tipo Berlim provisórias deverão ser encaradas como uma alternativa a soluções como as cortinas de estacas-prancha. Os elementos verticais. perfis metálicos H ou I, colocados com os bancos paralelamente ã face da escavação, garantem a absorção das pressões do terreno através da sua rigidez à flexão, função para a qual estes tipos de perfil são particularmente competentes.
A disposição dos perfis facilita, sob o ponto de vista construtivo, a colocação entre eles de pranchas de madeira, que permitem transmitir-lhes a totalidade das pressões do terreno do lado activo.
Por seu turno, nas estruturas de contenção tipo Berlim definitivas os perfis verticais não são usualmente contabilizados como elementos conferindo rigidez por flexão à contenção, uma vez que esta fruição é conseguida através da parede de betão armado, betonada no local, que possui rigidez consideravelmente superior, A função dos perfis verticais é, assim, a de transmissão das cargas verticais que provem do peso próprio da parede de betão e da habitualmente forte componente vertical das forças das ancoragens, não sendo usualmente considerada no dimensionamento qualquer função de absorção de momentos flectores, tanto mais que é habitual a escavação atrás dos perfis, para permitir a colocação da armadura. Não é este, no entanto, o procedimento desejável no caso de paredes tipo Berlim provisórias.
Sintomática da inspiração daquele procedimento no método construtivo das paredes de contenção Berlim provisórias e a adopção quase generalizada de perfis metálicos H também nas estruturas definitivas, colocados em obra com os bancos paralelamente a face da parede. Escolhendo um perfil deste tipo, esta colocação poderá justificar-se pelo facto de possíveis momentos flectores de pequeno valor serem mais prováveis nesta direcção, devido as acções impostas pelo pré-esforço nas ancoragens e pelas pressões do terreno. Contudo, uma secção tubular ou de forma similar parece ser muito mais adequada a situações de esforço normal predominante.
É de grande interesse, o estudo do comportamento destas estruturas em relação às cargas verticais, particularmente quando há importantes componentes verticais das forças das ancoragens. A importância desta faceta do comportamento tem-se evidenciado em alguns casos de rotura ou de grandes movimentos experimentados por cortinas de contenção deste tipo, nos quais se verifica que esta questão está normalmente presente, mesmo nas situações em que não foi a razão determinante do acidente ou do incidente.
Por outro lados assiste-se ainda hoje, com alguma frequência, a discussões no meio técnico sobre a forma como o problema da transmissão das cargas verticais deverá ser considerado em projecto, tratando-se, portanto, de questão muito actual e que está longe de poder ser considerada como resolvida, nomeadamente no que respeita ao dimensionamento dos perfis verticais.
Autores: Nuno M. da Costa Guerra, Manuel Matos Fernandes, António Silva Cardoso, António Gomes Correia
Excerto Adaptado
Imagens: ArchiExpo, Constantes no Artigo Original
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