Ensaios Geotécnicos com o Eurocódigo 7
2 Novembro, 2010.
A amostragem foi sempre um desafio na Engenharia Geotécnica, uma vez que a representatividade dos resultados dos ensaios realizados em laboratório nas amostras é função da qualidade de recolha das mesmas.
O problema da amostragem é particularmente sensível em solos argilosos moles, devido à sua sensibilidade, mas também nos solos residuais, devido à sua estrutura com ligações interparticulares resultantes da alteração in situ da rocha-mãe.
Apesar de terem sido desenvolvidos alguns trabalhos neste domínio, não existem resultados clarificadores do processo mais apropriado de amostragem nem existe uma uniformização das práticas de prospecção e amostragem nem dos procedimentos a utilizar.
A qualidade da amostra é um factor decisivo para a validação da determinação laboratorial das características dos maciços.
Para que as amostras tenham qualidade não é apenas necessária a concepção de amostradores de qualidade, mas também que sejam definidas regras de amostragem que minimizem as perturbações das amostras durante o processo de amostragem, transporte e armazenamento.
É importante implementar equipamentos com o objectivo de se potenciar uma técnica de confronto das velocidades de ondas sísmicas nos provetes de laboratório com as de referência, determinadas in situ por via de Crosshole sísmico.
A parte 2 do Eurocódigo 7 define a qualidade das amostras, para propósitos de realização de ensaios em laboratório em cinco classes, em que a Classe 1 corresponde a amostras não perturbadas e a Classe 5 refere-se a amostras com pouca qualidade e não aconselháveis para a realização de ensaios representativos.
O Eurocódigo 7 veio introduzir o dimensionamento de fundações com base nos estados limites. De acordo com o EC7, no dimensionamento, deve ser verificada separadamente a segurança em relação à rotura – estado limite último – e a segurança em relação à funcionalidade – estado limite de utilização.
A verificação em relação ao estado limite último realiza-se através da consideração dos coeficientes de segurança parciais que devem ser associados aos valores característicos das acções e dos parâmetros de caracterização dos solos de fundação. A verificação ao estado limite de utilização deve ser realizada pela limitação dos deslocamentos associados às cargas de serviço de forma a cumprir as condições de funcionalidade das estruturas em causa.
O EC7 veio assim introduzir, através da verificação da segurança com base nos valores característicos das grandezas envolvidas no dimensionamento, a noção de probabilidade de rotura em alternativa à noção de coeficiente de segurança global. Na determinação da probabilidade de rotura de uma dada estrutura, vai-se considerar, separadamente, os valores característicos das acções, por um lado, e das propriedades dos materiais, por outro.
Na maior parte dos casos, a determinação do estado de tensão e de deformação induzido num maciço terroso solicitado á superfície é calculada com base na Teoria da Elasticidade pressupondo que as solicitações são monótonas e que as tensões transmitidas ao maciço ficam em níveis muito aquém do da capacidade de carga, por forma a garantir que há um fraco desenvolvimento de plastificações no maciço.
O estado de tensão induzido no maciço não é muito influenciado pela variação dos parâmetros de deformabilidade do solo em profundidade, mas o mesmo não se pode dizer da distribuição das deformações. Esta é muito sensível à variação das características de deformabilidade, particularmente ao aumento da rigidez em profundidade.
Autor: José Fernando Vieira de Sousa
Excerto Adaptado
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2 Novembro, 2010
O novo ec7 é bastante vantajoso neste aspecto apresentando uma redobrada atenção à caracterização em geotecnia, nomeadamente no que diz respeito às fundações superficiais, às fundações profundas, aterros e taludes e reforços de solos.
2 Novembro, 2010
Excelente artigo. A minha actividade profissional está ligada ao planeamento de pedreiras e nos ensaios hidorgeológicos, sondagens e estudos geotécnicos a fraca qualidade das amostras é um problema frequente.
2 Novembro, 2010
A amostragem sistemática através de furos de sondagens continua infelizmente a não ter regulamentação clara
2 Novembro, 2010
parabéns ao autor pelo bom artigo
2 Novembro, 2010
Artigo muito interessante. As normas geotécnicas NBR no brasil têm algumas limitações, limitando-se à normalização da sondagem a trado, inspeção em solos, retirada de amostras deformadas e indeformadas, ensaios de compactação e caracterização, análise Granulométrica, determinação de limites de liquidez e plasticidade e ensaio de compactação. Como não conheço a norma portuguesa, gostaria de saber como essa norma lida com os parêmetros que referi anteriormente.
17 Dezembro, 2010
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