Patologia e Reabilitação de Revestimentos de Fachada

30 Dezembro, 2010.

Patologias em revestimento de fachada

Actualmente, existe um maior esforço no sentido de melhorar a qualidade da construção, no entanto, assiste-se com frequência, em edifícios recentes, a um aparecimento diversificado de manifestações patológicas. Estas patologias que afectam a envolvente exterior dos edifícios resultam, com frequência, da celeridade imposta na realização dos projectos, da redução forçada do tempo de execução das obras, pouca preparação dos projectistas e da existência de uma fiscalização pouco exigente, entre outros.

Patologia em pintura de fachada de edifício

Patologias são todas as manifestações, que ao longo da vida útil de determinado edifício, prejudicam o seu desempenho. Assim, é de crucial importância conhecer, em primeiro lugar, as variadas origens que conduzem ao aparecimento da patologia. Nesse sentido, podem classificar-se em quatro tipos:

– Congénitas – são aquelas originárias da fase de projecto, em função da não observância das normas técnicas, ou de erros e omissões dos projectistas, que resultam em falhas no detalhe e concepção inadequada dos revestimentos. São responsáveis por grande parte das avarias registadas em edificações.
– Construtivas – quando a sua origem está relacionada com a fase de execução da obra, resultante do emprego de mão-de-obra desqualificada, produtos não certificados, ausência de metodologia para assentamento das peças, o que, segundo pesquisas mundiais, também são responsáveis por grande parte das anomalias em edificações.
– Adquiridas – quando ocorrem durante a vida útil dos revestimentos, sendo resultado da exposição ao meio em que se inserem, podendo ser naturais, decorrentes da agressividade do meio, ou da acção humana, em função de manutenção inadequada ou realização de interferência incorrecta nos revestimentos, danificando as camadas e desencadeando um processo patológico.
– Acidentais – caracterizadas pela ocorrência de algum fenómeno atípico, resultado de uma solicitação invulgar, como a acção da chuva com ventos de intensidade superior ao normal e até mesmo incêndio. A sua acção provoca esforços de natureza imprevisível, especialmente na camada de base e sobre as juntas, quando não atinge até mesmo as peças, provocando movimentações que irão desencadear processos patológicos em cadeia.

É habitual atribuir responsabilidade apenas às empresas construtoras, pelos defeitos de construção quando, muitas vezes, estes resultam também de uma deficiente concepção ou de omissões por parte dos projectistas.

Revestimento descolado de fachada de edifício

Descolamento de elementos da fachada

Assim, determinada patologia pode ter origem em falhas na fase de projecto, quando os materiais escolhidos não são compatíveis com as condições de uso, ausência de um estudo cuidado das interacções do revestimento com outros elementos do edifício e em erros na fase de execução, quando a mão-de-obra não é especializada ou quando, não há um adequado controlo do processo de produção.

As humidades são a principal causa do aparecimento de patologia em fachadas, isto porque, a fachada dos edifícios, como elemento fundamental da sua envolvente exterior, padece de uma das agressões físicas mais severas, a água de infiltração proveniente das chuvas.
Para além das humidades que advêm da água da chuva (humidades de infiltração), existem outro tipo de humidades que podem estar presentes na fachada, designadamente humidades de microcapilaridade, de condensação e acidentais.
Uma das causas para a presença de humidade nas fachadas é a consequência da penetração de água do exterior, devido à estrutura porosa do material de revestimento presente na fachada e do seu coeficiente de absorção.
Em situações onde a fachada de determinado edifício apresente soluções construtivas horizontais ou com pouca inclinação, haverá uma maior tendência para acumulação de água nessas zonas e, consequentemente, maior será a intensidade da infiltração.

São ainda zonas críticas, propícias à ocorrência de infiltrações, as aberturas construtivas (juntas) e a existência de fissuras.
A humidade capilar tende a aparecer em fachadas, como consequência da ascensão de água presente no solo. No entanto, este tipo de humidade é mais relevante no caso de estudo de partes enterradas do edifício.

Por outro lado, a humidade de condensação ocorre como consequência da condensação de vapor de água e manifesta-se através do aparecimento de manchas e bolores nos paramentos interiores das paredes.
Estamos perante situações de humidade acidental quando, por exemplo, existe uma rotura de uma canalização de água. Este tipo de humidade é a mais fácil de identificar sob o ponto de vista do processo patológico, pelo aparecimento de manchas de humidade junto ao ponto de rotura.
Numa fachada existem pontos, onde a presença de humidades é habitual. A zona de arranque de muros devido à possível existência de humidade provenientes de ascensão capilar e microcapilaridade. No paramento vertical da fachada na sua globalidade, devido à porosidade dos materiais de revestimento, à presença de fissuras ou até devido à existência de juntas mal vedadas. É ainda frequente o aparecimento de humidades de condensação, no paramento vertical de um edifício em zonas onde existam pontes térmicas.
Todos os panos horizontais ou com pouca inclinação, são pontos que propiciam a acumulação de águas, que tendem a facilitar a infiltração, originando manchas de humidade e consequentemente outro tipo de patologia, como a degradação dos rebocos.

Fissuração em fachada

Os remates superiores, nomeadamente nas platibandas, são também pontos críticos, onde a humidade está na base do aparecimento de patologias, devido a falhas no sistema de capeamento, que advêm quer de uma deficiente configuração por inexistência de inclinação na direcção transversal, quer por uma má aplicação do mesmo.

A resolução definitiva de determinada patologia revela-se, muitas vezes, impossível de levar a cabo e outras tem associado um custo elevado de reparação. As causas para o aparecimento de manifestações de patologia são sobretudo a má concepção, a deficiente execução e o normal envelhecimento dos materiais e seus componentes.
A má concepção está relacionada principalmente com deficiências a nível dos projectos, nomeadamente a omissão ou falta de detalhe e pormenores construtivos que leva a que em obra os pormenores sejam realizados sem cuidado e de forma inadequada para o fim em vista. Uma inadequada escolha dos sistemas construtivos usando soluções de projectos anteriores sem o cuidado de adaptar as soluções à situação em causa, onde a maioria dos projectos não estruturais são parcos no que se refere à justificação da solução construtiva adoptada, ausência de caderno de encargos (especificações técnicas) do modo de execução dos trabalhos e ainda por existirem, por vezes, erros grosseiros de projecto e uma fiscalização pouco atenta.
Mas, lamentavelmente, ainda não está incutida, sobretudo ao nível dos subscritores dos projectos, a importância que representa a envolvente exterior, no desempenho de um edifício ao longo da sua vida útil. Usualmente os projectos são parcos no que se refere à prescrição de soluções para os revestimentos de fachada, não descrevendo com pormenor as propriedades a exigir aos materiais, tendo em conta o ambiente onde o edifício se insere, cingindo-se tão só a apontar o tipo de revestimento a aplicar.

Por outro lado, as deficiências ao nível da execução estão relacionadas com a falta de mão-de-obra qualificada que executa inconvenientemente o estipulado em projecto, utilização de novos materiais sem o conhecimento e domínio das técnicas de aplicação do mesmo, empreiteiros pouco conscientes que não cumprem o constante em projecto, a existência de prazos reduzidos para a construção do edifício e uma fiscalização ausente, e por vezes, pouco experiente, que não obriga ao exacto e pontual cumprimento do estabelecido em projecto, caderno de encargos e contrato.

Descolamento de revestimento de pilar

O uso de materiais de baixa qualidade também contribui para o aparecimento precoce da patologia. No mercado existem materiais não certificados, que sendo os mais baratos são, frequentemente, a escolha de donos de obra pouco exigentes onde o aspecto económico prevalece ao da qualidade.

Autora: Ana Margarida Vaz Alves Chaves
Excerto Adaptado

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7 Comentários a Patologia e Reabilitação de Revestimentos de Fachada

  1. Vânia Carvalho

    Excelente artigo. Dei 5 estrelas. Conheço perfeitamente alguns dos edifícios utilizados como ‘case-studies’, porque sou originária dessa zona, o que tornou ainda mais agradável a leitura. Relatório muito bem escrito e bastante completo.

  2. Carlos Pinto

    Bom artigo. Parabéns ao autor

  3. Ana T. Machado

    Ao inverso das opiniões emitidas anteriormente, a minha não é tão favorável e passo a explanar:
    Após a leitura e respectiva análise do relatório, denoto que o respectivo foi elaborado a partir de distintas partes retiradas de vários livros referentes na matéria, acrescidas de algumas fotografias ou pormenores. O relatório em si carece de novidades, métodos ou soluções inovadoras para o tema abordado, resumindo-se a mencionar o que já há muito está definido, debatido e estabelecido. Em suma, as teses elaboradas deveriam ser escrupulosamente dissecadas por quem compete, não se correndo o risco de estas serem uns meros apógrafos de várias obras existentes no mercado com pouca ou nenhuma utilidade ao mundo laboral, sendo esta meramente uma opinião pessoal de quem analisou algumas teses…

  4. Tiago Freitas

    Parabéns à autora pelo artigo!
    Infelizmente existem edifícios recentes que apresentam inúmeras patologias que em nada dignificam as nossas cidades. Nesse sentido, concordo com a autora que é urgente que, por um lado se adoptem políticas que obriguem à recuperação das fachadas e por outro, que haja uma maior responsabilização dos técnicos (projectistas, fiscalização e empreiteiro) para que os problemas patológicos não se venham a verificar com tanta frequência.

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