Revestimentos Exteriores de Edifícios

1 Abril, 2011.

Revestimento exterior de edifício

O conjunto tosco da parede – revestimento, actua em complementaridade para desempenho das funções inerentes às partes opacas das paredes. As exigências dos revestimentos são indissociáveis das exigências funcionais das paredes exteriores. Contudo, enquanto que algumas das exigências são comuns ao conjunto (resistência ao fogo, resistência à água, durabilidade, resistência ao choque, etc.), outras dizem respeito essencialmente às paredes de alvenaria (estabilidade, conforto higrotérmico, conforto acústico, etc.) e outras aos revestimentos (segurança no contacto, regularidade superficial e higiene).

Dos revestimentos para paramentos exteriores de paredes espera-se, de um modo geral que: protejam o tosco da parede das acções dos diversos agentes agressivos, água, choques, produtos químicos presentes no ar, poeiras, etc. ­ resistindo eles próprios a esses agentes – contribuam para a estanquidade à água da parede, confiram à parede características aceitáveis de planeza, verticalidade e regularidade superficial, proporcionem à parede o efeito decorativo pretendido, que se mantenham limpos ou que, pelo menos, tornem fácil a sua limpeza.

Tipos de Revestimentos Exteriores de Edifícios

Os revestimentos podem ser classificados segundo as funções que estão aptos a desempenhar no quadro das exigência funcionais relativas ao conjunto tosco da parede revestimento.
Cada revestimento é incluído na classe correspondente à função primordial que vai desempenhar embora seja em geral apto a desempenhar outras funções. Por exemplo, no que respeita aos isolamentos térmicos embora a sua função principal seja o de melhorar as características térmicas da fachada, contribuem também em geral, para a melhoria da estanquidade das paredes.
Outros critérios de classificação seriam possíveis, tais como a base dos materiais constituintes, da natureza do ligante, etc.

- Revestimentos de estanquidade
Estes revestimentos caracterizam-se por asseguraram por si só, a estanquidade das paredes exteriores. Estes revestimentos chamam a si a responsabilidade de estanquidade à água que na generalidade é assumida pelo conjunto suporte-revestimento. Mesmo no caso de existir fendilhação limitada do suporte, estes revestimentos mantém a estanquidade da parede.
Os revestimentos mais usuais desta categoria correspondem aos revestimentos por elementos descontínuos, aos revestimentos de ligantes hidráulicos armados e independentes e aos revestimentos com base em ligantes sintéticos armados.

- Revestimentos de impermeabilização
Conferem o complemento de estanquidade à água necessários, de forma a que o conjunto revestimento – suporte, seja estanque. O revestimento limitará a quantidade de água que atinge o suporte. A deterioração do suporte tal como a fendilhação, pode provocar a penetração de água para o interior do edifício.
Estes revestimentos distribuem-se pelos ligantes minerais tradicionais (rebocos tradicionais) e não tradicionais, pelos revestimentos de ligantes sintéticos e pelos revestimentos de ligantes mistos.

- Revestimentos de isolamento térmico
A principal tarefa dos revestimentos de isolamento térmico consiste em melhorar o desempenho térmico da fachada, sendo de realçar o desempenho conseguido pelos isolamentos aplicados pelo exterior.
Consoante a natureza dos materiais empregues, em geral a estanquidade das paredes é melhorada e os efeitos de pequenas patologias do suporte, poderão ser eliminados.

- Revestimentos de acabamento ou decorativos
A principal função destes revestimentos é o de tornar agradável o aspecto das fachadas. Só deverão ser aplicados em suportes em que a impermeabilização e a regularização já se encontrem asseguradas pelo sistema existente.
Podem contudo melhorar não só a impermeabilização das paredes ao recobrirem fissuras existentes como também melhorar o comportamento mecânico e químico dos revestimentos anteriores, ao introduzirem uma protecção suplementar.
Fazem partes destes revestimentos os revestimentos de ligantes minerais, de ligantes sintéticos, delgados de ligantes mistos, revestimentos por elementos descontínuos (mosaicos) e os revestimentos por pintura.

Revestimento de paredes exteriores

 

Exigências Funcionais dos Revestimentos Exteriores de Edifícios

As características dos revestimentos das paredes influenciam as condições de habitabilidade e de salubridade dos edifícios em geral. As exigências funcionais traduzem os requisitos a impor independentemente dos materiais e soluções conSt1′utivas utilizados, de forma a que os edifícios, os seus órgãos e os elementos de construção estejam aptos a desempenhar as suas diversas funções, constituindo assim a resposta técnica às necessidades dos utentes.
O aumento das exigências relativas a essas condições significa também que os materiais e as tecnologias empregues tenham de evoluir no sentido de garantirem aos revestimentos um melhor comportamento e conservação.
É fundamental que as características dos revestimentos das paredes exteriores sejam impostas por condições exigenciais quantitativas e/ou qualitativas e não por meras indicações de execução ou de aplicação em obra dos produtos. A aceitação ou rejeição dos trabalhos dependerá assim, do facto dos desempenhos dos produtos permitirem ou não, a satisfação das exigências formuladas para esses mesmos produtos.

- Exigências de estabilidade
O contributo para a resistência das paredes exteriores é dado essencialmente pelo comportamento da alvenaria. Em condições de uso normais, os revestimentos não se devem degradar (descolar, fissurar, etc.).
Em situações acidentais. Admite-se a rotura ou deformação Superficial do revestimento, mas sem que haja atravessamento ou sérios danos na alvenaria.

- Exigências contra riscos de incêndios
A quantidade e toxicidade dos fumos emitidos pelos materiais em combustão deve ser limitada de forma a não afectar gravemente os utentes.

- Exigências de segurança no uso
A temperatura nos paramentos acessíveis às pessoas, deve ser inferior a 60°C de forma a que não provoque queimaduras.
A rugosidade não poderá ser tal que provoque ferimentos aos utentes durante a sua deslocação.

- Exigências de compatibilidade com o suporte
Estas exigências traduzem as necessidades de compatibilização entre o suporte e o revestimento, de forma a que os dois subsistam sem prejudicarem mutuamente os seus desempenhos.

  • Compatibilidade geométrica – traduz a necessidade da regularidade do suporte, a fim de não prejudicar o desempenho do revestimento.
  • Compatibilidade mecânica – as tensões que o suporte pode induzir no revestimento ou vice-versa podem ser tais, que provoquem a deterioração de um deles (ex.: argamassas fortes aplicadas sobre suportes com fraca resistência mecânica). Assim, o suporte e o revestimento deverão ser mecanicamente compatíveis.
  • Compatibilidade química – a incompatibilidade química entre os elementos pode provocar nos revestimentos, expansões, empolamentos, descolamentos, etc. A selecção dos materiais a usar deve se tal, que obste a este tipo de situações. A saponificação é um caso particular de que resulta a formação de álcoois. A compatibilidade química com o suporte de um revestimento de ligante sintético, seja ele exterior ou interior, está fundamentalmente relacionada com a sua resistência aos álcalis, uma vez que os suportes mais correntes são de natureza alcalina e podem apresentar-se humedecidos em várias situações (o processo de degradação das resinas sintéticas por ataque alcalino é uma hidrólise, visto que se produz com formação de álcool). Terá de haver a garantia de que para determinado suporte o revestimento em causa seja insaponificável, a não ser que se preveja a aplicação de um primário específico para a protecção do revestimento.

- Estanquidade à água da chuva
O grau de estanquidade das paredes exteriores resulta da combinação da capacidade respectiva do revestimento e da alvenaria. Consoante as condições de exposição da parede, o humedecimento exagerado e prolongado dos materiais pode provocar a deterioração quer do revestimento quer do suporte, por acção física (movimentos de contracção ou de expansão, congelação da água, etc.) ou química (sais solúveis transportados pela água, etc.), O descolamento do revestimento pode resultar também da acumulação de água na interface suporte – revestimento.
Boas características de impermeabilidade à água são importantes nos casos de revestimentos de estanquidade e dos revestimentos de impermeabilização. Será de considerar esta propriedade nos revestimentos de acabamento, o que conferirá um complemento de impermeabilidade às águas de escorrimento. A avaliação desta característica poderá ser feita submetendo um provete do revestimento à pressão de uma coluna de água, simulando-se assim os efeitos conjugados da água e da chuva.

- Estanquidade ao vapor de água
Ao contrário da estanquidade à água, interessa que a parede exterior seja o mais permeável possível ao vapor de água proveniente do interior do edifício. Esta característica é fundamental para que a água da chuva absorvida pelas paredes possa ser mais tarde restituída ao exterior, quando as condições atmosféricas o permitirem. Nesta perspectiva. o revestimento exterior ideal será aquele que conseguir o melhor compromisso entre a estanquidade a água da chuva e o da permeabilidade ao vapor de água.

- Estanquidade à água no interior
Todos os compartimentos que possam estar sujeitos à escorrência de água nas paredes deverão ser estanques.

- Exigências de higiene
Os revestimentos devem ser pensados de forma a que irão favoreçam a fixação de sujidades, poeiras, ou microrganismos. A possibilidade de limpeza não deve ser menosprezada sendo que para esta finalidade os revestimentos não devem ser demasiado rugosos e as fachadas mais expostas às poeiras e às sujidades devem ser auto-laváveis (a chuva deve ter a oportunidade de as lavar). Os acabamentos ásperos devem ser evitados em superfícies permanentemente húmidas, uma vez que favorecem a  fixação de bolores e de outros microrganismos vegetais. As superfícies pegajosas facilitam também a fixação da sujidade.
Os revestimentos devem ainda ser laváveis sem que os produtos específicos de limpeza degradem ou manchem as superfícies, ou sejam tóxicos. Devem ser ainda resistentes as lavagens frequentes.

- Exigências de resistência a acções de choque, de atrito e de riscagem
Para as acções de choque e de atrito resultantes do uso normal dos edifícios, os revestimentos devem resistir sem degradações que comprometam as suas principais funções.
Mesmo nas zonas de circulação mais intensa este aspecto deve ser salvaguardado, provendo lambris. arestas e rodapés de materiais mais resistentes.

- Exigências de aderência ao suporte
A aderência ao suporte é um dos factores essenciais a longevidade dos revestimentos. Os revestimentos devem possuir uma boa aderência ao suporte e boa coesão interna.
Admite-se uma diminuição sensível da aderência ao suporte quando o material de revestimento se encontra humedecido, não podendo contudo essa diminuição ser demasiado elevada para paramentos que se encontrem frequentemente húmidos (paramentos exteriores de fachadas, de cozinhas, de casas de banho, etc.).

Construção de paredes exteriores de edifício

 

Autor: Sérgio Gabriel Quádrio da Mota Alves
Excerto Adaptado
Imagens: Paton Architecture, BSA

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