


{"id":413,"date":"2018-04-22T22:13:35","date_gmt":"2018-04-22T22:13:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.engenhariacivil.com\/pro\/?p=413"},"modified":"2018-04-27T21:42:28","modified_gmt":"2018-04-27T21:42:28","slug":"coberturas-verdes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.engenhariacivil.com\/pro\/coberturas-verdes-20180422221335413","title":{"rendered":"Coberturas verdes"},"content":{"rendered":"<p>As coberturas sempre foram um elemento essencial na constru\u00e7\u00e3o; muitos a designam como a \u201cquinta fachada\u201d e de facto, o seu valor est\u00e9tico tem cada vez mais import\u00e2ncia. Ali\u00e1s, \u00e9 muito claro que a perspectiva das cidades deixou de ser apenas bidimensional. Com o recurso a imagens de sat\u00e9lite e v\u00eddeo e fotografias de drones, as cidades s\u00e3o cada vez mais coberturas e menos ruas e fachadas. As coberturas s\u00e3o hoje uma impress\u00e3o digital das cidades em crescimento e muta\u00e7\u00e3o constante, e que muito contribuem para a sua identidade.<\/p>\n<p>Todos os espa\u00e7os da cidade s\u00e3o importantes para melhorar a qualidade de vida das pessoas, e as coberturas verdes tamb\u00e9m, podendo contribuir para essa melhoria de muitas formas:<\/p>\n<ul>\n<li>como local para produ\u00e7\u00e3o de alimentos; este facto permite diminuir a depend\u00eancia alimentar do edif\u00edcio e no limite da cidade. H\u00e1 v\u00e1rios casos de restaurantes e at\u00e9 hospitais que produzem os seus vegetais na cobertura.<\/li>\n<li>como espa\u00e7o de lazer; pense qu\u00e3o agrad\u00e1vel seria ter na sua cobertura um jardim para os mi\u00fados brincarem? Em plena cidade e de forma segura\u2026<\/li>\n<li>como forma de atenuar algum ru\u00eddo; um pequeno ref\u00fagio exclusivo e sem sair de casa.<\/li>\n<li>para reter part\u00edculas suspensas e \u201cabsorver\u201d a polui\u00e7\u00e3o, t\u00e3o inc\u00f3moda nas cidades;<\/li>\n<li>para atenuar a m\u00e1 qualidade do ar exterior;<\/li>\n<li>para reduzir o efeito de ilha de calor;<\/li>\n<li>para reter temporariamente \u00e1gua pluvial em excesso e diminuir o risco de cheias;<\/li>\n<li>como ilhas de biodiversidade\u2026<\/li>\n<\/ul>\n<p>De facto, as coberturas verdes t\u00eam in\u00fameras vantagens para as cidades e seus habitantes.<\/p>\n<p>Uma delas, n\u00e3o t\u00e3o intuitiva para as pessoas, mas muito relevante \u00e9 a sua capacidade de isolamento t\u00e9rmico. A terra \u00e9 um bom isolante t\u00e9rmico permitindo que a cobertura tenha boas propriedades t\u00e9rmicas. No entanto, numa cobertura verde \u00e9 essencial a utiliza\u00e7\u00e3o de isolamento t\u00e9rmico e este tem que ter as caracter\u00edsticas adequadas para esta solu\u00e7\u00e3o construtiva. O isolamento t\u00e9rmico a utilizar nesta solu\u00e7\u00e3o deve ter duas caracter\u00edsticas imprescind\u00edveis: bom comportamento em contacto com a \u00e1gua e boa capacidade de resistir ao peso da terra.<\/p>\n<p>A correcta constru\u00e7\u00e3o de uma cobertura verde pode melhorar significativamente o comportamento energ\u00e9tico da cobertura e consequentemente do edif\u00edcio.<\/p>\n<p>Para estudar o impacto das coberturas verdes no desempenho energ\u00e9tico dos edif\u00edcios foi realizado um estudo comparativo entre uma cobertura convencional e uma cobertura verde (tipo extensiva) numa casa unifamiliar em Fran\u00e7a. Foram consideradas temperaturas de refer\u00eancia de 19\u00b0C e 28\u00b0C (Inverno e Ver\u00e3o) e verificadas as seguintes vantagens:<\/p>\n<ol>\n<li>Na cobertura convencional, as amplitudes t\u00e9rmicas no suporte variam entre\u00a0 \u20106\u00b0C no Inverno e 58\u00b0C no Ver\u00e3o; a cobertura verde permitiu manter as amplitudes t\u00e9rmicas na estrutura entre 4\u00b0C e 20\u00b0C no Inverno e verificou-se uma redu\u00e7\u00e3o de at\u00e9 30\u00b0C no Ver\u00e3o;<\/li>\n<li>No Ver\u00e3o, o efeito de arrefecimento passivo \u00e9 3 vezes mais eficiente na cobertura verde; no Inverno, nos dias mais frios, existem menos perdas de calor;<\/li>\n<li>No Ver\u00e3o, a temperatura interior diminuiu 2\u00b0C e as necessidades energ\u00e9ticas anuais diminu\u00edram 6%;<\/li>\n<li>Os benef\u00edcios da cobertura verde na redu\u00e7\u00e3o da temperatura interior no Ver\u00e3o e das necessidades de climatiza\u00e7\u00e3o dependem muito do isolamento t\u00e9rmico na cobertura;<\/li>\n<li>Estas coberturas s\u00e3o termicamente mais vantajosas em edif\u00edcios existentes do que em edif\u00edcios novos, pois apresentam benef\u00edcios mais significativos quando aplicados em edif\u00edcios sem ou com isolamento moderado.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Assim, concluiu-se que as coberturas verdes diminuem as amplitudes t\u00e9rmicas e portanto por si s\u00f3 trazem conforto interior, permitem diminuir necessidades energ\u00e9ticas anuais e os seus benef\u00edcios s\u00e3o potenciados pela utiliza\u00e7\u00e3o de isolamento t\u00e9rmico adequado.<\/p>\n<p>Mas afinal como se constr\u00f3i uma cobertura verde?<\/p>\n<p>Alguns principais requisitos de uma cobertura verde s\u00e3o: garantir que o isolamento t\u00e9rmico utilizado \u00e9 insens\u00edvel \u00e0 \u00e1gua; que suporta cargas vindas do substrato e que \u00e9 aplicado de forma correcta na cobertura.<\/p>\n<p>Assim, o isolamento t\u00e9rmico que melhor responde a estes requisitos \u00e9 o XPS (poliestireno extrudido. Este garante uma absor\u00e7\u00e3o de \u00e1gua por imers\u00e3o m\u00ednima (&lt;0.7% em volume), uma resist\u00eancia \u00e0 compress\u00e3o elevada e uma absor\u00e7\u00e3o de \u00e1gua por difus\u00e3o muit\u00edssimo reduzida. \u00c9 o isolamento t\u00e9rmico com\u00a0<u>melhor desempenho<\/u>\u00a0nesta solu\u00e7\u00e3o construtiva.<\/p>\n<p>As coberturas verdes podem ser de v\u00e1rios tipos, dependendo essencialmente do tipo de vegeta\u00e7\u00e3o, no entanto, as mais simples s\u00e3o compostas pelas seguintes camadas:<\/p>\n<p>Laje (suporte estrutural e pendente)<br \/>\nSistema de impermeabiliza\u00e7\u00e3o<br \/>\nIsolamento t\u00e9rmico XPS<br \/>\nManta drenante (l\u00e2mina granular e geot\u00eaxtil)<br \/>\nTerreno vegetal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As coberturas sempre foram um elemento essencial na constru\u00e7\u00e3o; muitos a designam como a \u201cquinta fachada\u201d e de facto, o seu valor est\u00e9tico tem cada vez mais import\u00e2ncia. Ali\u00e1s, \u00e9 muito claro que a perspectiva das cidades deixou de ser apenas bidimensional. Com o recurso a imagens de sat\u00e9lite e v\u00eddeo e fotografias de drones, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-413","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.engenhariacivil.com\/pro\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/413","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.engenhariacivil.com\/pro\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.engenhariacivil.com\/pro\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.engenhariacivil.com\/pro\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.engenhariacivil.com\/pro\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=413"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.engenhariacivil.com\/pro\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/413\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":414,"href":"https:\/\/www.engenhariacivil.com\/pro\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/413\/revisions\/414"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.engenhariacivil.com\/pro\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=413"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.engenhariacivil.com\/pro\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=413"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.engenhariacivil.com\/pro\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=413"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}