Medidas de Conservação de Energia em Edifícios

20 Dezembro, 2010.

Conservação de energia em edifícios

Para se assegurar um ambiente saudável e de conforto no Inverno e necessário conceber meios de aquecimento económicos e minimizar as perdas térmicas, durante o Verão é sobretudo necessário prever formas de arrefecimento que evitem temperaturas excessivamente elevadas. Surge assim a necessidade de uma nova forma de concepção de edifício que não carece, contudo, de tecnologias novas em relação às habituais técnicas construtivas, bastando para tanto tratar convenientemente a envolvente.

A conservação de energia é, muitas vezes, entendida somente como poupança ou redução dos consumos energéticos. Trata-se no entanto de uma visão limitada deste conceito, pois conservação pode nem significar uma redução dos consumos energéticos finais.

Envolvente de envidraçado de edifício

Por conservação entende-se a utilização ou gestão racional ida energia tendo como finalidade ao redução das perdas através da envolvente, tirando partido do isolamento térmico e do controlo das infiltrações e a utilização racional dos ganhos solares recorrendo a superfícies envidraçadas viradas a Sul associadas a massas inerciais adequadas.

Importa que um edifício seja concebido de forma a que:
- As necessidades de energia para o conforto sejam reduzidas ao mínimo tirando partido das condições ambientes e do isolamento térmico e controlo das infiltrações;
- As necessidades energéticas que não são satisfeitas com ganhos gratuitos (ocupantes e equipamentos) sejam conseguidas através do aproveitamento da radiação solar (vãos envidraçados convenientemente orientados e massas inerciais);
- Os ganhos no Verão sejam reduzidos pelo afastamento da incidência da radiação à custa de dispositivos de sombreamento e favorecendo a ventilação.

Entre as principais medidas de conservação de energia encontram-se as seguintes:

Aplicação de isolamento térmico
O tratamento da parte envolvente de um edifício (estrutura, paredes, pavimentos, coberturas) com isolamentos térmicos adequados, origina consideráveis reduções nos consumos de energia para aquecimento.
Um dos principais mecanismos pelos quais se dão trocas de calor entre o ambiente e o interior de um edifício é por condução através da envolvente. Assim, quanto maior for a resistência térmica do material à transferência de calor, menor será a energia transferida por condução. Dai que uma das medidas de conservação de energia consista no aumento dessa resistência térmica, ou seja, na aplicação de uma camada de material de baixa condutibilidade térmica como, por exemplo, cortiça, fibra de vidro, poliestireno ou poliuretano.
Quanto à localização deste material isolante, este deve ser preferencialmente aplicado do lado exterior do e elemento de modo a se conseguirem menores amplitudes térmicas nesse elemento, levando por isso a menores deteriorações do material e a uma massa de acumulação térmica interior.

Controlo das infiltrações
Uma fenestração mal concebida e/ou deficientemente construída pode causar perdas energéticas até 35% das necessidades térmicas de um edifício. As perdas térmicas através das janelas resultam principalmente de infiltração excessiva de ar frio através de frinchas mal calafetadas mas também de transmissão térmica directa através do vidro.
A redução das infiltrações é um método de conservação de energia de fácil aplicação que pode ser conseguido através de uma cuidadosa calafetagem das frinchas em toda a envolvente, da aplicação de vidros duplos e persianas isolantes em todas as janelas bem como da aplicação de uma caixilharia com propriedades minimamente isolantes (por exemplo madeira).

Convém no entanto não esquecer que, na maioria dos edifícios, a infiltração é muitas vezes a única forma de é renovação de ar existente. Portanto, nesses casos, a redução da infiltração nunca deve ser levada ao extremo pois resultariam taxas de renovação de ar demasiado baixas.

Sombreamento
A utilização de sombreadores torna-se particularmente útil quando se dispõe de grandes superfícies envidraçadas e se pretende durante o tempo quente não só controlar a intensidade luminosa como também impedir o excesso de radiação solar no interior. Durante a estação fria, certos tipos (estores e portadas, por exemplo) têm também a vantagem de funcionar como isolantes térmicos diminuindo as perdas para o exterior.
Os sombreadores podem ser exteriores ou interiores, fixos ou móveis. Os sombreadores exteriores são mais aconselháveis uma vez que os interiores podem contribuir para um aquecimento suplementar do ar ambiente na estação quente, ao absorver parte da energia solar incidente.
Quanto aos sombreadores fixos ou móveis, estes últimos têm-se mostrado mais eficientes apesar de exigirem uma participação activa dos ocupantes do edifício. Os sombreadores fixos (normalmente placas horizontais sobre as janelas), mesmo quando correctamente dimensionados de modo a permitir a radiação solar directa no Inverno e a impedi-la no Verão, podem constituir e um obstáculo à radiação solar difusa durante a estação fria ao passo que os sombreadores móveis permitem uma maior flexibilidade na escolha dos períodos a sombrear para além de terem uma fácil aplicação em qualquer tipo de edifício.

Muitas vezes é frequente confundir (ou integrar) as tecnologias solares passivas com as técnicas de conservação de energia. No entanto existe uma diferença de conceito entre elas. Embora as segundas possam ser um pressuposto das primeiras, as tecnologias de conservação de energia são orientadas no sentido de diminuir as perdas energéticas enquanto as tecnologias solares passivas são orientadas no sentido de aumentar os ganhos gratuitos. Assim, as tecnologias solares passivas procuram, através de meios naturais, criar condições satisfatórias de habitabilidade no que se refere a conforto e qualidade de vida, tirando partido da energia solar e reduzindo ao mínimo o consumo das energias convencionais.

Inércia térmica de edifícios

As tecnologias solares passivas são particularmente favorecidas com o nosso clima, permitindo por isso o seu desenvolvimento, bastando para tanto informar e formar técnicos capazes de modo a incentivar este tipo de construções.
As tecnologias solares passivas podem ser incorporadas em qualquer tipo de edifícios. No entanto, às medidas de conservação de energia atrás mencionadas e necessário acrescentar um conjunto de outras medidas tão importantes cobrindo, por exemplo, a localização e orientação do edifício, a forma e a sua relação com os espaços exteriores, o tipo de vegetação circundante ou a interrelação funcional dos espaços interiores, com a finalidade última de maximizar os ganhos no Inverno e minimizá-los no Verão de modo a evitar sobreaquecimentos.

Existem uma série de medidas a adoptar com vista a conseguir uma construção solar passiva, nomeadamente a localização da habitação, onde a configuração da topografia do terreno e sem duvida um factor importante, sendo as pendentes orientadas a Sul as mais indicadas.
Também a forma de um edifício e um factor com uma grande influência nas suas perdas térmicas, sendo de recomendar formas compactas e onde a fachada orientada a Sul deve ser sempre mais longa que as orientadas a Nascente ou a Poente.

Perdas de calor pela fachada

De referir ainda que a fachada Norte deve conter o mínimo possível de aberturas e adjacente a esta fachada devem ficar os anexos secundários tais como garagens, armazéns, etc., de modo a se conseguir uma maior protecção térmica. No interior, na zona Norte devem situar-se arrecadações, escadas, corredores, etc., de modo a se criarem as chamadas “zonas térmicas intermediárias”, reservando-se para a zona Sul as funções principais.
Por último, a vegetação, que tem um papel bastante importante na regularização e equilíbrio das condições climáticas.

Autor: Maria Manuela Guedes de Almeida
Excerto Adaptado

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