Sistemas de Gestão de Pontes Rodoviárias

27 Novembro, 2010.

Sistemas de gestão de obras de arte

O estado das pontes rodoviárias vai sendo alterado com a idade devido a diversos factores, que vão provocando um agravamento progressivo da sua degradação e uma consequente diminuição da resistência da estrutura, caso não sejam implementadas medidas que de alguma forma anulem ou contrariem esses efeitos, sendo de grande importância uma correcta gestão do estado de conservação dessas obras de arte.

A gestão das obras de arte é tão antiga quanto a existência dessas próprias obras, no entanto as suas exigências de utilização, o seu valor patrimonial e o elevado capital nelas investido justificam, cada vez mais, a optimização desse processo.

Gestão de pontes rodoviárias

Sendo o principal objectivo dessa gestão o garante de um determinado nível de segurança e funcionalidade, ao longo da vida útil de cada uma das obras, ao menor custo possível, é importante criar e implementar ferramentas que permitam organizar toda a multiplicidade de informação, facilitando o processo em geral e apoiando O gestor nas suas tomadas de decisão. Essas ferramentas são genericamente designadas por Sistemas de Gestão de Obras de Arte.

Um Sistema de Gestão de Obras de Arte deve apoiar os técnicos e administradores das instituições que tenham sob a sua responsabilidade a exploração de obras desse tipo, facilitando a manipulação do grande e complexo volume de informação subjacente, pelo que se torna desejável que o seu processamento seja feito por meio de uma ferramenta informática. Essa informatização tem ainda a vantagem de possibilitar ao utilizador a aquisição do know-how subjacente a situações similares eventualmente registadas em base de dados que, sendo facilmente consultáveis, poderão servir de guia à sua actuação. Assim, um Sistema de Gestão de Obras deverá estar preparado para apoiar o utilizador em fases de:
1) Recolha da informação relativa à obra;
2) Avaliação global do estado das obras, de acordo com a ponderação de determinados factores, e definição das estratégias de actuação possíveis;
3) Aplicação de critérios de decisão para selecção das intervenções a implementar e programação das suas actividades ao longo do tempo.

A sua estrutura poderá ser constituída por módulos independentes para cada uma das três fases anteriormente referidas que permitam, respectivamente:
1) Arquivar em base de dados, para cada uma das obras, os dados fixos de caracterização geral e os dados evolutivos relativos ao estado dos seus elementos, em determinados instantes de tempo, de forma a constituir um historial do seu comportamento;
2) Calcular parâmetros de classificação das obras (a nível de segurança, de uso público e de importância histórica e cultural) e listar os tipos de actuação que possam ou devam ser implementados;
3) Elaborar relatórios com os resultados da optimização do processo, efectuada em função dos critérios de decisão adoptados, de forma a permitir seleccionar as intervenções a realizar e programar a sua calendarização.

Esta organização permite, assim, uma abordagem mais técnica nos dois primeiros módulos e depois, no terceiro módulo, uma abordagem de carácter mais administrativo.
Nos primeiros módulos, a classificação do estado da estrutura pode ser assessorada informaticamente, por exemplo com algumas indicações documentais, mas tem que ser necessariamente definida por técnicos. Na abordagem final, os resultados apresentados nos relatórios, produzidos automaticamente, deverão também ser combinados com uma análise crítica de um gestor experiente.

Sistema de gestão de ponte rodoviária

Os factores que propiciam o agravamento do nível de deterioração, podem ser de natureza intrínseca, como os relacionados com defeitos iniciais dos materiais, do projecto ou da concepção, ou de natureza extrínseca, como, por exemplo, a agressividade ambiental.

Por essa razão, ao longo da vida útil das obras, o seu estado deve ir sendo avaliado periodicamente, a partir de informação recolhida em campanhas de inspecção. Essa avaliação pode ser efectuada segundo níveis diferentes de pormenor e de profundidade de análise, pelo que os resultados podem depois ser expressos segundo vários tipos de classificação.

A classificação do estado da obra é efectuada  em escalas mais ou menos alargadas, em função de uma ou várias das seguintes características:
- Aspecto dos danos;
- Vulnerabilidade e urgência de correcção das anomalias;
- Rácio entre a capacidade de carga real e exigida, uma vez que as patologias podem ter diferentes consequências quando detectadas em diferentes partes da estrutura.

As classificações podem ser atribuídas directamente ao conjunto da obra ou a um conjunto de partes da mesma, sendo a nota global obtida, nesse caso, por ponderação em função, por exemplo, da importância estrutural da parte no todo e da sua quantidade relativa. Essa classificação parcial pode ainda ser feita com diversos graus de pormenor, ou seja considerando partes de diferentes dimensões (com uma menor dimensão a incerteza é de certa forma reduzida, uma vez que a subjectividade do inspector diminui e se considera de forma mais precisa a extensão do dano), como por exemplo:
- Principais partes da estrutura (como tabuleiro, superestrutura e infra-estrutura);
- Elementos (viga, pilar, sapata, etc.);
- Componentes de cada elemento.

Para além dos tipos de classificação já referidos há ainda outros que pontuam, para além do estado da obra, outros atributos como a sua importância histórico-cultural e o seu nível de resposta face às exigências de funcionamento. Dessa forma, o próprio resultado da classificação poderá ser directamente considerado na definição das prioridades relativas de intervenção.

A preservação de um parque de obras de arte pressupõe a correcção das deficiências que forem surgindo e que impeçam de satisfazer os níveis de segurança e serviço pretendidos. Essa correcção pode ser feita de várias formas e em diferentes períodos da sua vida útil.

Autor: Joana Maria Martins Rosa Maia de Oliveira Almeida
Excerto Adaptado

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