Segurança ao Fogo em Edifícios
3 Outubro, 2010.A segurança ao fogo em edifícios pode ser quantificada mediante um factor denominado risco de incêndio. No entanto, na vida real cada incêndio é único, pelo que não é possível conseguir uma metodologia de risco que permita a fiel reprodução de cada um dos possíveis incêndios que podem ocorrer num determinado tipo de edifício.
Este risco envolve um conjunto de factores, extremamente diversos, que se podem agrupar da seguinte forma:
a) probabilidade esperada de ocorrência do acontecimento, que podemos designar por cenário de incêndio;
b) grau esperado de exposição a esse acontecimento;
c) maior ou menor capacidade potencial de afectação que o acontecimento pode apresentar.
A impossibilidade de eliminar o risco de incêndio, quer este se deva a causas naturais ou não, é um facto incontroverso, pelo que o objectivo da sua análise é o de reduzir a probabilidade e as consequências da sua eventual ocorrência, de modo a ter unicamente um risco residual aceitável.
Contudo, do ponto de vista da estimação das potenciais perdas verificadas durante um incêndio num edifício, nem todos os factores têm a mesma importância, existindo alguns que têm uma influência decisiva nas consequências finais:
a) a descrição física do incêndio;
b) ambiente em que se inicia, desenvolve e termina;
c) consequências da ocorrência;
d) meios de segurança contra incêndio.
A regulamentação de segurança contra incêndio estabelece um conjunto de níveis e capacidades de desempenho, de modo a que o edifício seja suficientemente seguro para as pessoas, do ponto de vista da acção incêndio. Está-se, deste modo, a limitar o risco de incêndio e, implicitamente, a aceitar um determinado risco considerado razoável.
Por outro lado, em situações em que a regulamentação não existe, são os próprios licenciadores a definirem as medidas que devem ser asseguradas, considerando que se essas medidas não forem implementadas o risco será inaceitável embora, por vezes, as imposições consideradas sejam discutíveis. Em qualquer uma das duas situações anteriores está-se a aceitar um determinado risco que, contudo, é mais intuitivo do que fruto de uma análise científica.
A eliminação do risco de incêndio é impossível, mesmo que se alterassem radicalmente as técnicas de construção e forma de vida das pessoas, pelo que e incontornável o facto de termos de viver com esse risco. De facto, qualquer edifício está potencialmente sujeito a um incêndio e, depois dele eclodir, o edifício, o seu conteúdo, bem como as pessoas que aí estão, ficam expostas às suas consequências.
Os riscos de incêndio podem ser riscos pessoais (vidas humanas) ou riscos
económicos. Sob o ponto de vista económico, não deve ser estabelecido um limiar mínimo, a não ser o que resulta da segurança das pessoas, isto é, há determinados custos que se torna necessário efectuar para que a referida segurança seja atingida.
Contudo, não e só a vida das pessoas que está em jogo, pois existem importantes bens materiais para além do próprio edifício, que podem sofrer as consequências do incêndio.
A completa eliminação de risco de incêndio só seria possível se todos os materiais existentes num edifício, quer fazendo parte da construção, quer do seu conteúdo, fossem incombustiveis.
Autor: António Leça Coelho
Excerto Adaptado




