Pontes Térmicas
19 Agosto, 2010.A existência de pontes térmicas na envolvente dos edifícios está na origem de diversas anomalias frequentemente detectadas. A sua presença provoca, por exemplo, em condições de inverno, um acréscimo de perda térmica para o exterior. O risco de ocorrência de condensações superficiais é maior. Verifica-se, muito frequentemente, o desenvolvimento de bolores nas zonas de ponte térmica.
A distribuição de temperaturas superficiais interiores é heterogénea o que pode também dar origem a problemas.
Ao permitir-se a existência de uma ponte térmica na envolvente de um edifício, possibilita-se, em condições de inverno, uma maior transmissão de calor para o exterior. Esta é uma constatação óbvia que se pode fazer a partir da própria definição de ponte térmica. Esse acréscimo de perda térmica representa, em certa medida, um desajustamento da envolvente face as exigências de conforto e economia.
Numa solução de parede dupla sem isolante térmico e estrutura reticulada em betão armado, sem correcção de pontes térmicas, a percentagem das perdas térmicas pelas pontes térmicas em relação às perdas térmicas pela envolvente plana opaca situa-se normalmente entre 10 e 15%.
É importante esclarecer que as perdas térmicas dizem respeito, única e exclusivamente, à zona de ponte térmica, isto é, essas perdas representam o acréscimo relativamente às perdas térmicas calculadas em condução monodimensional, considerando nesse cálculo, coeficientes de transmissão térmica para todas as áreas de constituição diferente dos elementos planos da envolvente multiplicados pela respectiva área interior. Não se trata, portanto, do conceito de factor de concentração de perdas térmicas considerado no “Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios”. Esse factor engloba também os efeitos das heterogeneidades dos elementos planos.
Quando existe um material de isolamento térmico e não são tratadas as zonas de pontes térmicas a importância relativa destas pode atingir valores da ordem de 30 % ou mais das perdas térmicas pelas zonas planas opacas da envolvente. Concluise assim que, quando numa solução de isolamento térmico de uma envolvente se negligencia a correcção das pontes térmicas, está a desprezar-se uma forma de tornar mais eficaz e economicamente mais justificável o próprio isolamento das zonas correntes da envolvente. Este facto é reforçado pela verificação de que a importância relativa das pontes térmicas cresce com o aumento do isolamento.
E um facto observável no dia-a-dia que os sinais de condensações superficiais surgem, primeiramente, nos vidros e, em segundo lugar, nas zonas de ligação entre elementos construtivos, como por exemplo, ao longo das ligações entre paredes, entre paredes e pavimentos, entre paredes e caixilharias de janelas, etc. Temos, portanto, uma constatação visual da maior probabilidade de ocorrência de condensações superficiais nas zonas de pontes térmicas. O ar no interior dos edifícios contém uma determinada quantidade de vapor de água que depende da produção de vapor no local, da ventilação e da quantidade de vapor trazida pelo ar exterior.
A uma determinada quantidade de vapor de água existente no ar corresponde um valor mínimo da temperatura abaixo do qual não se pode descer sem que ocorram condensações (temperatura do ponto de orvalho). Ora, em condições de inverno, as superfícies interiores da envolvente do edifício apresentam uma temperatura inferior à do ar interior. Se a temperatura Superficial descer abaixo da temperatura do ponto de orvalho para a quantidade de vapor de água existente no ar, dão-se condensações sobre a superfície.
Uma ponte térmica dá origem, normalmente, em condições de inverno, a um abaixamento da temperatura superficial interior em relação à temperatura superficial interior das zonas correntes da envolvente.
Se considerarmos que o ar interior se encontra a uma temperatura de l8°C e apresenta uma humidade relativa de 75% e que o ar exterior se encontra a uma temperatura de 0°C. A temperatura do ponto de orvalho correspondente às condições termohigrométricas do ar interior é de cerca de l3,5°C.
Autor: Maria Helena Póvoas Corvacho
Excerto Adaptado









19 Agosto, 2010
O novo regulamento das características de comportamento térmico dos edifícios dá uma grande importância e destaque a esta problemática das pontes térmicas. A sua atenuação ou supressão é um factor fundamental no desempenho térmico adequado de um edifício.
19 Agosto, 2010
Tema interessante e actual. Obrigado pelo documento.
19 Agosto, 2010
artigo muito interessante mas com algumas metodologias um pouco ultrapassadas em alguns aspectos
19 Agosto, 2010
obrigado
19 Agosto, 2010
gostei da consideração do isolamento de paredes, tendo em conta a presença de eventuais pontes térmicas, com resistência térmica inferior à da restante envolvente o que origina de patologias devido a condensação.
abraço
19 Agosto, 2010
Muito bom manual
19 Agosto, 2010
Trabalho muito com aplicação de placas de isolamento térmico em poliestireno extrudido nos projectos que faço e a dissertação aborda o assunto de forma bastante interessante.
19 Agosto, 2010
Quais os riscos para a saúde dos ocupantes de uma habitação resultates da degradação dos materiais de construção utilizados em resultado das complicações associadas a mau isolamento térmico?
19 Agosto, 2010
O isolamento de betão usando grampos integrando-os na própria estrutura no momento da cofragem e betonagem é bastante vantajoso na supressão das compliocações aqui discutidas. E o mesmo é aplicável a vigas, pilares, lages, nichos de radiador, etc
19 Agosto, 2010
mais um artigo exemplar. parabéns
19 Agosto, 2010
Onde posso no site mais informação sobre correcção de pontes térmicas em edifícios?
19 Agosto, 2010
Gostava de obter a vossa ajuda na obtenção de desenhos de pormenores AutoCAD ( DWG, DXF ou DGN) construtivos da atenuação de pontes térmicas em elementos estruturais como topos de laje, vigas, pilares, vãos e caixas de estore.
agradeço desde já
19 Agosto, 2010
obrigada!!!!
19 Agosto, 2010
Obrigado malta
19 Agosto, 2010
Vai dar muito jeito para o relatório de Construções sobre paredes isoladas termicamente. obrigadinho
15 Dezembro, 2010
[...] Pontes Térmicas [...]
20 Dezembro, 2010
[...] Pontes Térmicas [...]
11 Março, 2011
[...] condições de inverno e em regime permanente as perdas de calor através das pontes térmicas representam cerca de 10% das perdas térmicas por transmissão através da envolvente. Através do [...]
10 Maio, 2012
Tal como Pedro Pinto Gostava de obter a vossa ajuda na obtenção de desenhos de pormenores AutoCAD ( DWG, DXF ou DGN) construtivos da atenuação de pontes térmicas em elementos estruturais como topos de laje, vigas, pilares, vãos e caixas de estore.
agradeço desde já