Modelo microclimático urbano permitirá minimizar o efeito da ilha de calor em Abu Dhabi

19 Maio, 2016.

Modelo microclimático urbano permitirá minimizar o Efeito da Ilha de Calor em Abu Dhabi

Um modelo computacional avançado desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) em cooperação com o Instituto Masdar permitirá simular com precisão extrema o Efeito da Ilha de Calor no centro urbano de Abu Dhabi, possibilitando a previsão dos impactos de diferentes estratégias de mitigação.

A ferramenta informática é especialmente dirigida planeamento urbano e ao dimensionamento de cidades inteligentes, com infraestruturas especialmente preparadas para a redução do Efeito da Ilha de Calor e minimização da pegada ecológica.

O Efeito da Ilha de Calor tem origem nas diferentes fontes de calor existentes nas cidades, como o motor dos veículos, os equipamentos industriais e até os próprios edifícios e pavimentos rodoviários, que podem armazenar enormes quantidades de energia calorífica. Estas fontes emissoras de calor transformam os centros urbanos de cidades muito densas e com volumetria vertical dominante, em verdadeiras fornalhas.
Estas zonas centrais podem ter temperaturas médias 2 a 3 graus centígrados mais elevadas que as áreas rurais da periferia e temperaturas máximas que podem chegar a 8 ou 10 graus centígrados de diferença.

Em resultado deste efeito, territórios com temperaturas elevadas durante a grande maioria do ano, como os Emirados Árabes Unidos (EAU) e em particular Abu Dhabi, possuem gastos energéticos anuais, relacionados com o funcionamento de equipamentos de climatização e ar-condicionado, verdadeiramente colossais.

Os estudos desenvolvidos pela equipa de investigadores do MIT e do Instituto Masdar permitiram concluir que o Efeito da Ilha de Calor é responsável por cerca de 15% da carga energética anual relacionada com a climatização de edifícios.
Foi portanto evidente, logo à partida, que uma redução, por mais pequena que fosse, no Efeito da Ilha de Calor, conduziria a poupanças energéticas muito significativas.

O elevado gasto de energia em Abu Dhabi tem outra vertente igualmente nefasta. Uma vez que a maioria da eletricidade que abastece o território tem origem em combustíveis fósseis, a redução do consumo afetaria positivamente a pegada ecológica dos EAU contribuindo para um futuro mais sustentável, com menores emissões de gases de efeito de estufa.

O modelo tridimensional microclimático abrange toda a baixa de Abu Dhabi e permitirá ao município prever e acompanhar o impacto da implementação de diferentes medidas de mitigação ambiental. Possibilitará aos urbanistas otimizarem o projeto do traçado viário, a altura e geometria dos edifícios, a localização de parques, a orientação de novos bairros e até o tipo de materiais de construção a utilizar, entre muitos outros.

O software permite efetuar a previsão das elevações de temperatura em pontos específicos da cidade, através de algoritmos avançados que simulam a complexa dinâmica de fluxos térmicos entre edifícios e outras estruturas. Para tal o programa recorre a uma quantidade massiva de dados provenientes dos Sistemas de Informação Geográfica (SIG) do Município de Abu Dhabi, dados de tráfego e a variáveis climáticas como a temperatura do ar, velocidade do vento, radiação solar, temperatura das fachadas de edifícios e a temperatura superficial dos pavimentos rodoviários, entre muitos outros.

O sistema recorre igualmente a várias dezenas de sensores espalhados pelo centro da cidade, que permitirão efetuar a calibração contínua, em tempo quase real, do modelo.

Fonte: MIT/Masdar Institute | Imagens (adaptadas): via MIT/Masdar Institute




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