Avaliação Bibliométrica da Produção Científica de Professores Associados e Catedráticos de Departamentos de Engenharia Civil em Universidades Portuguesas

22 Setembro, 2014.

Avaliação Bibliométrica da Produção Científica de Professores Associados e Catedráticos de Departamentos de Engenharia Civil em Universidades Portuguesas

O presente artigo contém uma análise da produção científica, na base de dados Scopus/Elsevier, de Professores Associados e Catedráticos de Departamentos de Engenharia Civil em seis Universidades Portuguesas. A mesma é baseada no número de artigos em revista SCI, no rácio artigos SCI/ano, no número de citações, no rácio citações/artigo, no índice-h, no rácio índice-h/ano, na percentagem de auto-citações e na percentagem de artigos não citados. O mesmo contém ainda uma comparação com desempenho da produção científica média de Professores “Catedráticos” (Full Professors) do Imperial College em Londres (ICL) e do MIT.

A referida análise permite concluir que a produção científica Portuguesa na área da Engenharia Civil apresenta diferenças significativas entre os Professores Associados e os Professores Catedráticos das diferentes Universidades, que os Professores de Departamentos de Engenharia Civil mais antigos apresentam uma menor produtividade média que os seus congéneres em Departamentos de Engenharia Civil mais recentes.

Particularmente desfavorável é a comparação entre o número médio das citações recebidas pelos artigos publicados em revista SCI dos Professores Catedráticos Portugueses, que é entre 500 a 800% inferior ao número médio de citações recebidas pelos artigos dos seus congéneres do Imperial College e do MIT.

O grupo dos 5% de Professores Catedráticos de Engenharia Civil em Portugal com o melhor desempenho, apresentam um maior número de citações e um maior rácio citações/artigo do que os seus congéneres no ICL. Quando a comparação de desempenho é feita somente para o quinquénio 2009-2013, os resultados mostram que os primeiros produziram um número de artigos em revista SCI ligeiramente superior ao grupo dos 5% de Professores Catedráticos de Engenharia Civil no ICL e no MIT, mostra também que os artigos dos primeiros receberam quase o mesmo número de citações que os artigos dos seus congéneres no ICL e 64% das citações dos artigos dos “Catedráticos” do MIT.

Propõe-se que os indicadores bibliométricos referentes à produção científica mínima, durante um quinquénio, para efeitos de um desempenho excecional incluam cumulativamente 5 artigos SCI/ano, 6 citações/artigo e um índice-h de 7.

Ler artigo completo “Avaliação bibliométrica da produção científica de Professores Associados e Catedráticos de Departamentos de Engenharia Civil em Universidades Portuguesas e comparação com o desempenho no Imperial College e no MIT”

Autor: F. Pacheco Torgal –  Investigador na Unidade C-TAC, Doutor em Engenharia Civil (torgal@civil.uminho.pt) | Universidade do Minho, Unidade de Investigação C-TAC, 4800 Guimarães, Portugal




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9 Comentários a Avaliação Bibliométrica da Produção Científica de Professores Associados e Catedráticos de Departamentos de Engenharia Civil em Universidades Portuguesas

  1. Rita Guedes

    Mais um excelente artigo de análise da situação do ensino da engenharia civil do prof. Pacheco Torgal

  2. joaquim

    infelizmente é disto que vivem e se alimentam as nossas universidades
    a produção de artigos científicos é colocada muitos patamares acima em termos de importância do ensino real (o quel deveria ser o seu objectivo primeiro)

    e em vez da aplicabilidade procura-se a priodução em massa para que a universidade seja “reconhecida” pelos seus congéneres nacionais e internacionais e apareca em pseudo-rankings baseados em dados viciados

  3. Hugo Silva Fernandes

    Parabéns ao autor pela análise aprofundada da situação da produção científica em engenharia civil em portugal e sua comparação com duas das mais destacadas instituições de ensino a nível mundial.

    Achei especialmente interessante e reveladora a comparação entre o volume de produção científica e a sua relevância, que revela que muitas vezes quantidade não significa qualidade.

  4. ariana

    Muito bom

  5. Jorge Ferreira

    A opinião do Joaquim é intrigante. Se a produção de artigos na engenharia civil em Portugal é muito menor do que no Imperial College ou no MIT então seguindo o raciocínio do Joaquim as nossas universidades é que estão certas e o Imperial College e o MIT é que estão errados. Aquilo que distingue um Professor Universitário de um Professor do Politécnico é que o primeiro tem capacidade de produzir conhecimento cientifico enquanto que o segundo limita-se a falar aos alunos do conhecimento científico produzido pelos primeiros !

  6. Andreia

    Não concordo de todo com o Joaquim pois conforme se pode ler na introdução do artigo é a próprio estatuto da carreira docente universitária que obriga os Professores Universitários a “uma procura constante do progresso científico e técnico” o qual só pode ser aferido pela produção científica, que em Portugal é na maioria dos casos fraca.

  7. Jorge Ferreira

    Na minha opinião o Joaquim tem razão num único aspecto, há muitos artigos que pouco ou nada valem, mas também nesse aspecto a avaliação da produção científica (referida no artigo) é importante pois permite saber quem é que são os Professores que fazem muitos artigos que pouco ou nenhum impacto tem.

  8. Pedro Sacramento

    Só através da produção científica (inovadora e útil) é possível modernizar a engenharia civil. Infelizmente as empresas de construção ainda utilizam conhecimentos científicos de há 20 ou 30 anos. Aliás muitos engenheiros estão parados no tempo e aquilo que sabem está muito desactualizado. Noutros países se um engenheiro não se actualiza deixa de poder ser engenheiro, não é como por estas bandas em que pessoas como o Sócrates, o Guterres ou até o banqueiro Jardim Gonçalves continuam engenheiros embora pouco ou nada saibam de engenharia, tendo passado quase toda a carreira fora da engenharia.

  9. Andreia

    não te esqueças que até o actual seleccionador é engenheiro !

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