Optimização do Comportamento Térmico de Alvenarias de Blocos de Betão
22 Setembro, 2010.As paredes de alvenaria que realizam a envolvente dos edifícios têm um papel decisivo no comportamento térmico e mecânico das construções, para além de representarem uma parcela importante do preço final da construção, pois o seu custo, incluindo revestimentos.
Portugal é um país da Europa do Sul, marcadamente mediterrânico no zona central e meridional, mas com influências atlânticas crescentes para Noroeste. Com excepção de algumas zonas montanhosas, o clima é ameno e a pluviosidade, associada à vertente atlântica, é mais intensa no litoral Norte.
A arquitectura tradicional portuguesa apresentava soluções de carácter regional, fruto dum longo processo evolutivo muito adaptadas às condições climatéricas. Predominava a utilização da pedra em paredes espessas e pesadas. Com excepção de algumas zonas rurais ou em edifícios mais rudes do Norte do país, onde eram frequentes as soluções em pedra à vista, nos edifícios correntes as paredes de pedra eram revestidas por rebocos espessos, porosos, de baixa rigidez e realizados em várias camadas por mão de obra muito experiente.
Na vertente atlântica, nas zonas mais expostas à acção da chuva, era habitual procurar melhorar-se a resistência à penetração da água pelo reboco com a introdução de uma camada impermeável, à base de argamassa asfáltica, ou mais recentemente argamassa rica em cimento Portland aditivada com hidrófugo, aplicada directamente sobre o suporte.
Com carácter mais regional e com o mesmo objectivo de melhorar o comportamento à água da chuva, utilizavam-se, além dos revestimentos decorativos cerâmicos, revestimentos de estanquidade descontínuos, sendo os mais frequentes em ardósia ou chapas de fibrocimento, sobretudo em empenas.
As paredes exteriores são um elemento construtivo sobre o qual recai uma multiplicidade de exigências, onde se destacam como mais significativas as seguintes:
exigências de segurança (estrutural e sob acção do fogo);
- exigências de conforto (térmico e acústico);
- exigências de estanquidade à água da chuva;
- exigências de aspecto;
- exigências de adaptação à utilização;
- exigências de economia e produtividade.
A melhoria das condições de conforto nos edifícios em geral e na habitação em particular, associada às preocupações de gestão racional de energia, conferem ao comportamento térmico das constmções um peso relevante. As exigências de conforto térmico são assim condicionantes da concepção da envolvente das construções, com destaque para as paredes exteriores.
Cabe portanto às paredes conciliar um conjunto muito vasto de requisitos distintos, nem sempre facilmente compatibilizáveis.
Tendo em vista a prossecução dos objectivos referidos, consubstanciam-se as seguintes alternativas:
- a primeira alternativa procura, no limite, um elemento para cada função, ou seja, um elemento ou componente asseguram a segurança estrutural, outros elementos têm apenas como objectivo a separação dos espaços, cabendo ainda a outros as funções de isolamento térmico, estanquidade à água da chuva, etc.;
- a segunda alternativa, optimizante mas mais complexa, procura concentrar num único componente construtivo uma multiplicidade de funções que a parede deve desempenhar.
Designam-se estes elementos como elementos de 2ª geração.
Embora esta perspectiva seja redutora do problema, verifica-se que existem em termos construtivos estas duas tendências. A preferência por uma ou outra das alternativas radica-se em diversas variáveis como a tradição construtiva das diferentes regiões, as soluções arquitectónicas mais correntes, os aspectos relativos ao clima, materiais de construção disponíveis, e mesmo aspectos de moda, podendo, sem nenhuma incoerência, coexistirem as duas tendências na mesma região.
Em Portugal nos últimos anos tem-se assistido a modificações no sector da construção de edifícios, principalmente nas seguintes vertentes:
- alargamento do enquadramento regulamentar, visando uma melhoria de desempenho das construções em termos de conforto;
- evolução das práticas construtivas no sentido de uma maior racionalidade e economia de mão-de-obra;
- aparecimento de novos materiais e sistemas construtivos.
Autor: Hipólito José Campos de Sousa
Excerto Adaptado





22 Março, 2011
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