Noruegueses utilizam argila queimada impura no fabrico de betão

8 Março, 2016.

Noruegueses utilizam argila queimada impura no fabrico de betão

O mais recente aliado da indústria do betão da Noruega, no combate às emissões de gases poluentes, é um material até agora considerado desadequado para integração em argamassas para construção civil. A chamada argila azul da Noruega está a ser utilizada com sucesso em alternativa ao cimento Portland usado no fabrico de betão estrutural.

Embora as argilas de caulino, abundantes em climas moderados e quentes, sejam usadas há muito tempo no fabrico de betão, o tipo de argilas impuras, abundantes nos solos de países mais frios como a Noruega, não eram, até agora, consideradas viáveis para integração naquele processo.

A possibilidade de integrar no betão percentagens de até 50% deste tipo de argilas está a ser estudada pela Fundação para a Pesquisa Científica e Industrial (SINTEF), sediada em Trondheim, em cooperação com as principais associações e empresas cimenteiras do país.

O fabrico do cimento corrente implica o uso de temperaturas elevadas, que podem alcançar os 1450ºC, no processo de aquecimento do calcário, o que origina a libertação de dióxido de carbono. A libertação de gases poluentes nesta fase representa 60% das emissões totais durante o fabrico do cimento.
Por seu lado a argila queimada não liberta CO2 durante o processo de aquecimento e permite o uso de temperaturas consideravelmente mais baixas, entre 600ºC e 800ºC, durante o processo de transformação.

O uso de argilas impuras, como a argila azul norueguesa, tinha sido até agora considerado impossível na substituição de cimento portland, devido à lenta reatividade dos minerais constituintes daquele material.
O que os investigadores do SINTEF acreditam é que não só é adequada como extremamente vantajosa. Ao contrário das argilas de caulino, a argila azul não necessita de refinamento para poder ser utilizada, podendo ser literalmente escavada do solo e conduzida diretamente aos fornos para aquecimento.

Os engenheiros do SINTEF estão atualmente a trabalhar na otimização do processo de tratamento por calor, de forma a obter um material de elevada estabilidade, passível de ser integrado no betão em percentagens elevadas do volume total.

Fonte: GEMINI/SINTEF | Imagens (adaptadas): via GEMINI/SINTEF




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