
Um Sistema de Informação Geográfica (SIG) é um sistema capaz de gerir informação respeitante aos objectos ou temas geo-referenciados enfatizando três conceitos: o processamento de mapas, as bases de dados e a análise espacial. Os SIG utilizados em Engenharia Civil incluem disciplinas como fotointerpretação, fotogrametria e processamento de imagem, cartografia, planificação urbana e regional, arquitectura paisagística, navegação e planeamento de transportes, cadastro, energia e serviços domiciliários, minas e geologia, florestas e parques naturais, ambiente e planeamento ecológico, agricultura e planeamento do solo, estratégia militar e protecção civil, recursos hídricos e saneamento básico, construção civil e comunicações.
Um Sistema de Informação Geográfica pelo seu próprio nome engloba dois conceitos básicos a compreender:
1 – Sistema de informação;
2 – Informação geográfica.
Um sistema de informação pode distinguir-se de acordo com muitos critérios como domínio, funcionalidade, objectivos e meios. Mas é essencialmente caracterizado por dois componentes: um conjunto de dados e um conjunto de meios técnicos, procedimentos e regras capazes de estruturar, relacionar e interpretar esses dados dando-lhes significado e valor, isto é, transformando-os em informação.
Actualmente, a tecnologia informática está na base e é garantia do desempenho e desenvolvimento de qualquer sistema de informação com um nível mínimo de complexidade. A informação é actualmente, e cada vez mais, um valor disponível e imprescindível no desenvolvimento da nossa sociedade.
Na sua funcionalidade, os sistemas de informação têm um número de atributos gerais importantes, nomeadamente, nas facilidades de recolha, armazenamento, manipulação, acesso e apresentação da informação.
Quanto às tarefas efectuadas, dois tipos de sistemas de informação podem ser identificados:
a) sistemas de processamento de transações com ênfase na gravação e manipulação da ocorrência de dados e operações;
b) sistemas de suporte de decisão com ênfase na manipulação, análise e modelação para propósitos de decisão.
Finalmente, um factor importante a ser assinalado num sistema de informação é o chamado ‘liveware’ ou a capacidade humana de con-ceptualizar, implementar e usar o sistema.
Os SIG são, pois, sistemas de informação com as características gerais acima descritas, mas são por outro lado um caso especial pela sua aplicação à informação geográfica o que lhes confere características, desafios tecnológicos e interesses novos.
Os SIG são sistemas que, não só, incorporaram e motivaram o desenvolvimento de praticamente todas as técnicas de sistemas de informação já existentes, como também, levantaram e procuraram resolver novas técnicas e novos modelos de informação. Assim, os SIG partilham e relacionam—se, sem, no entanto, se identificarem, com os seguintes sistemas:
- CAD, através da grande capacidade de representação gráfica;
- Cartografia por computador, com a digitalização e produção de mapas;
- Detecção Remota, com o armazenamento, manuseamento e visualização do grande volume de dados ‘raster’.
- Bases de Dados, com estruturação e acesso a atributos não espaciais.
A maior característica do SIG é a capacidade de relacionar e analisar os dados espaciais. A habilidade de um SIG para a analisar dados espaciais é frequentemente vista como um elemento chave na sua definição e tem sido muitas vezes usada como uma característica que distingue os SIG de outros sistemas cujo primeiro objectivo é a produção de mapas.
Evolução
A expressão Sistema de Informação Geográfica ou SIG foi empregue pela primeira vez nos anos 1960, todavia com dois significados bem diferentes. Roger Tomlinson, considerado por muitos como o pai do SIG/GIS pelo seu papel na criação do ‘Canada Geographic Information System’ em 1966, usou o termo para descrever um sistema que permitisse o Governo do Canadá processar e analisar uma vasta quantidade de dados geográficos coligidos pelo “Canada Land Inventory”. Fazendo uso da tecnologia digital em desenvolvimento, pretendeu solucionar com menor custo e eficiência os problemas de tratamento dos grandes volumes de informação, como sobrepor mapas de diferentes temas e medir áreas, soluções que seriam dispendiosas e difíceis manualmente. Além disso, suportaria um conjunto de pesquisas definidas pelo utilizador.
Por outro lado, nos Estados Unidos, Duane Marble, integrado numa equipa de geógrafos e engenheiros de transportes, usou o termo para descrever um sistema formado por software e dados que pudesse desenvolver e efectuar métodos quantitativos no estudo de transportes urbanos em grande escala.
Desde esses anos, o termo SIG tem continuado a ser definido mais pelas suas aplicações e tecnologia do que por quaisquer bases teóricas definidas. Sobretudo nos Estados Unidos, ocorreram, com ou sem sucesso, várias iniciativas independentes e com características diferenciadas que de uma forma mais ou menos indefinida procuravam dar um tratamento automatizado aos dados geográficos.
A tecnologia computacional desses primeiros anos, ainda que rudimentar, sofreu um crescente desenvolvimento com novas capacidades e melhoria importante da relação qualidade/preço, o que esteve na origem da opção do tratamento automático versus manual.
Os Sistemas de Informação Geográfica são relativamente novos e em rápido desenvolvimento. O seu campo não é novo no contexto das ciências humanas, onde os SIG nascem como uma nova ferramenta tecnológica, mas é, certamente, novo como disciplina, isto é, quanto aos objectivos, métodos, conteúdo e extensão. A definição exacta desta nova tecnologia ou disciplina não é pois tarefa fácil, pois o seu desenvolvimento rápido e com as mais diversas aplicações impediu muitas vezes uma análise daquilo que realmente estava em causa.
Autor: Óscar Ciríaco Teixeira
Excerto Adaptado
Imagens: Esri
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